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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O que causa mais ciúmes: traição sexual ou emocional?


Recentemente revi um filme que fez muito sucesso em 2004/2005: “Perto Demais” (“Closer”)1. O enredo desse filme trata da mulher de um médico dermatologista que desenvolve um caso com um escritor principiante. Este caso começou quando ela estava separada do marido anterior e ainda não havia se envolvido com o médico. Ela é uma fotógrafa bem sucedida e vai fotografar o escritor para ilustrar a capa do seu livro, que está para ser lançado, e acaba se envolvendo com ele. Durante o período mostrado no filme, eles continuam o caso, embora agora ela já esteja casada com o médico e o escritor, com uma moça que já foi stripper.
O mais interessante dessa história,  para este artigo, é a estratégia ardilosa do médico para reaver a esposa e se vingar do escritor: ele pressiona a ex-esposa para dormir com ele pela última vez. Ele argumenta que ela deve-lhe isso pelo tempo que o enganou, para que ele deixe de procurá-la e, principalmente, para que ele lhe conceda o divorcio. Ela cede. Ele também procura a ex do escritor, que a esta altura havia voltado à profissão de stripper, e consegue dormir com ela. Assim tira a possibilidade do escritor se consolar com a sua ex quando quando ele perder a mulher do médico!
O médico calcula, acertadamente, que essas duas mulheres não deixarão de revelar para o escritor, no devido tempo, que dormiram com ele e que o escritor vai querer saber os detalhes sexuais desses episódios. Elas, como não sabem da importância da traição sexual para os homens e porque são sinceras, contarão tudo, o tornará inviáveis os seus relacionamentos com o escritor (Não vou contar aqui outros detalhes para não tirar o seu prazer de assistir esse filme).
O ponto desse filme que quero ressaltar aqui é a importância da traição sexual para os homens. O médico sabe induzir direitinho esse tipo de traição  nas duas mulheres que parecem não se darem conta do quanto isso afetará o escritor e acabam por confessar-lhe o ocorrido e, o que é pior, relatam todos detalhes sexuais dos encontros.
Este filme ressalta indiretamente uma pergunta cuja resposta tem sido bastante pesquisada, mas que ainda está sujeita a polêmicas: “Os homens geralmente têm mais ciúmes da traição sexual e as mulheres, da afetiva?”.
Existem diversos estudos sobre este fenômeno. Em um deles, David Buss e colaboradores2 procuraram avaliar as reações de homens e mulheres diante de uma traição sexual e de uma traição afetiva. Pediu aos participantes da pesquisa que imaginassem duas situações: na primeira o parceiro estava praticando sexo com uma rival e na segunda, ele estava se envolvendo afetivamente com ela. Para avaliar as reações a estas duas situações, os pesquisadores entrevistaram os participantes após imaginarem cada um destes tipos de traição e monitorarem varias de suas reações fisiológicas (usaram eletrocardiogramas, eletroencefalogramas, medidores de pressão etc.) enquanto imaginavam seus parceiros cometendo cada um dos dois tipos de traições.
Os participantes apresentaram fortes reações aos dois tipos de traição. No entanto, os homens tendiam a reagir mais fortemente à traição sexual e as mulheres, à afetiva.
No meu consultório tenho observado um padrão claro de reações de homens e mulheres traídos: quando são os homens que traem, as suas mulheres tentam determinar, arduamente, quanto de envolvimento houve, quão ameaçadora é a rival (bonita) e se o parceiro pretende deixá-las pela amante. Os homens que traem e não pretendem deixar o relacionamento tentam passar a versão que foi só sexo, o que na maior parte das vezes é verdade. Quando são as mulheres que traem, seus parceiros ficam obcecados pela traição sexual e dão bem menos importância para o envolvimento afetivo. Eles ficam obcecados pelos detalhes sexuais da traição e elas, muitas vezes, ingenuamente os relatam, principalmente por não calcular o impacto que isso terá nos parceiros. 
A traição feminina é considerada mais perigosa do que a masculina para a sobrevivência do relacionamento porque ela geralmente envolve as duas coisas: afeto e sexo, ao passo que a masculina muitas vezes envolve apenas a atração sexual. Essa diferença ocorre porque as mulheres geralmente só traem com alguém por quem sentem alguma coisa e que tem características para serem seus parceiros para outros tipos de relacionamentos.
A teoria que melhor explica o maior grau de preocupação masculina com a traição sexual de a feminina, com a traição afetiva é a teoria psicobiológica que vamos examinar agora.

Homens são obcecados pela traição sexual e as mulheres, pela afetiva

Segundo a teoria psicobiológica, o que explica esta obsessão masculina pela traição sexual da parceira é a incerteza da paternidade: o homem nunca está seguro que é o pai. Caso o homem não se preocupasse com a fidelidade sexual da esposa, ele correria sérios riscos de investir todos os seus esforços em filhos de outros homens e não nos seus próprios filhos. Aqueles homens que agissem assim provavelmente não passariam os seus próprios genes para as gerações seguintes. Mesmo que estas preocupações estejam presentes, ainda assim existem estimativas, calculadas através de testes genéticos de paternidade, que cerca de 10% das crianças não são filhas dos pais presumidos. Os autores da teoria psicobiológica afirmam que esta preocupação com a paternidade está instalada nos genes, pois aqueles homens que não a possuíam não deixram descendentes.
As mulheres, por outro lado, quase nunca têm dúvidas de que são as mães de seus bebês (a troca de bebês em hospitais não existia naquela época!). Suas preocupações säo de outro tipo: elas se preocupam com a possibilidade dos seus maridos se envolverem com outras mulheres, o que aumentaria as chances deles as abandonarem para ficar com o novo amor e, desta forma, cessarem ou diminuirem suas contribuições para a criação dos filhos que tiveram juntos (no Brasil, quase noventa por cento dos filhos ficam sob a guarda das mulheres quando há separação).
Além dessas possíveis motivações biológicas, a sociedade também amplifica os significados da traição sexual por parte das mulheres e das traições afetivas por parte dos homens. As condenações cruéis e cruentas que as mulheres são submetidas em várias sociedades quando säo pegas traindo são um exemplo desse tipo de amplificação.
Portanto, o médico do filme “Perto Demais”, soube como tornar intolerável para o escritor o seu relacionamento com as duas mulheres: acionou nele o pior dos ciúmes para um homem – a traição sexual.  O fato das mulheres revelarem todos os detalhes do sexo que praticaram com o médico tornou tais traições ainda mais insuportáveis para o escritor.
Notas:
1.  1.  Filme: “Perto Demais”. Título original: (Closer)Lançamento: 2004 (EUA)
Direção: Mike NicholsAtores: Julia Roberts, Natalie PortmanJude LawClive Owen, Jaclynn Tiffany Brown.
2. Buss, M. D. (2000). A Paixão Perigosa. São Paulo, Editora Objetiva (ver pesquisas sobre este tema no capítulo 3: “Ciúmes em Marte e Vênus”

Acessado em 13/12/2011 às 12:34

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Internet possibilita novas formas de atendimento em psicoterapia

"Os atendimentos realizados nos moldes clássicos têm seus próprios limites, limites esses que restringem o acesso da população ao atendimento psicológico de modo geral: seja por razões financeiras (tratamento custoso) ou geográficas (existem muitas cidades sem profissionais de psicologia). A internet pode ser aproveitada para a criação de novos métodos de atendimento que acolham essas demandas até aqui não atendidas, além de permitir a criação de novos recursos não disponíveis nos atendimentos presenciais" Em que passo está a psicologia brasileira em relação à sua inclusão na internet?
Vamos começar nossa reflexão expondo um rápido panorama da evolução desse processo. A internet comercial chegou ao Brasil em 1995 em escala inicial muito restrita. Além da maior parte das pessoas não ter acesso (por não possuír o equipamento necessário ou em razão do alto custo da assinatura na época), a velocidade de conexão (discada) era muito baixa, o que desestimulava mesmo quem conseguia ter acesso. Além disso, o próprio uso da WEB e seus potenciais eram desconhecidos para a quase totalidade dos brasileiros. Mas, aos poucos, as pessoas começaram a se apropriar da internet e suas possíveis aplicações, na medida em que novas vias de acesso foram surgindo.

Com essa popularização, a internet passou a fazer parte do cotidiano de grande parte da população e, consequentemente, passou a integrar o imaginário das pessoas. Assim, ideias, fantasias e desejos foram criados sobre a sua utilização, tanto em formas mais realista, quanto em formas de uso fantasiosas.

A interação humana na internet tem sido muitas vezes vista como acontecendo em um plano paralelo à vida real, como se a vida virtual fosse “falsa” ou contraditória à vida real. A vida virtual é um complemento à “vida real”, e não um mundo em contradição àquele. Muito dessa visão vem da crença de que as pessoas mentem nesse universo, de que relações virtuais ali estabelecidas são dissimuladas e inevitavelmente superficiais e “descartáveis”. Claro que isso ocorre frequentemente, mas também existe na WEB muito trabalho sério e criativo.

Aparentemente, a questão principal envolvida nesse “pré-conceito” é a falta de vivência efetiva sobre o que é a internet e sobre as inúmeras possibilidades que ela pode oferecer à criatividade humana. Muitos psicólogos e estudantes de psicologia, inseridos nessa mesma sociedade, também partilham dessa imagem social negativa a respeito da internet. Assim, se o atendimento psicológico tem como propósito a busca pela verdade da pessoa, como seria possível acontecer esse atendimento em um meio “falso”?

Em primeiro lugar, é necessário saber que se pode ser sério e verdadeiro online, tanto por parte de quem pede atendimento como por quem atende. No NPPI, oferecemos orientação psicológica via e-mail há cerca de treze anos e nesse serviço temos acolhido pessoas com questões sérias, às quais respondemos com a mesma seriedade. Constatamos também o compromisso e o alto grau de investimento emocional realizado por quem nos escreve. Não descartamos a possibilidade de alguém ter “testado” nosso serviço, inventando alguma história apenas para verificar que resposta receberia em retorno. Mas, se esse tipo de atitude eventualmente ocorreu, por parte de algum internauta, foi certamente um fato irrelevante em meio ao significativo número de pessoas que, por exemplo, muitas vezes nos retorna com uma mensagem de agradecimento pela ajuda prestada, o que nos demonstra a pertinência e efetividade do atendimento realizado.

Em segundo lugar, é preciso diferenciar “psicoterapia via WEB” de outras formas de atendimento psicológico medidos por computadores. A simples transposição das formas já reconhecidas de psicoterapia para o meio virtual é uma possibilidade geralmente temida pelos psicólogos, com certa razão. Tal transposição seria, na nossa visão, uma aplicação simplista e temerária do conhecimento psicológico já desenvolvido e validado para o meio “presencial”; uma vez que o universo virtual tem suas próprias regras de contato e formas de interação.

No entanto, no momento seria precoce afirmar que é impossível a realização de psicoterapia via WEB, pois são necessárias mais pesquisas para se conhecer melhor a dinâmica que ocorre entre terapeuta e cliente nesse meio, bem como suas implicações. Mas, hoje já visualizamos (e experimentamos) outros tipos de intervenções psicológicas viáveis e efetivas como, por exemplo, orientações focadas (na área clínica), as assessorias (na área organizacional), além daquelas pertinentes à educação à distância.

Há ainda o problema da falta até do conhecimento sobre os serviços psicológicos hoje já existentes. Percebemos a surpresa dos nossos alunos quando tomam conhecimento dessas modalidades. Esse desconhecimento indica que os cursos de graduação em Psicologia de modo geral ainda desconhecem essas possibilidades.

Os atendimentos realizados nos moldes clássicos têm seus próprios limites, limites esses que restringem o acesso da população ao atendimento psicológico de modo geral: seja por razões financeiras (tratamento custoso) ou geográficas (existem muitas cidades sem profissionais de psicologia). A internet pode ser aproveitada para a criação de novos métodos de atendimento que acolham essas demandas até aqui não atendidas, além de permitir a criação de novos recursos não disponíveis nos atendimentos presenciais. Há ainda por fim a possibilidade de se integrar a tecnologia para atendimentos presenciais, como o uso de softwares com fins terapêuticos, testes informatizados, além da criação de formulários eletrônicos que facilitem a organização de dados e a pesquisa epidemiológica.

Em suma, todo um novo campo se abre para a Psicologia na WEB, campo esse que pode e deve ser ocupado pelas novas gerações de psicólogos em beneficio da população atendida.
Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/psicoinfo.htm
Acessado em 11/07/2011 às 18:44

sábado, 9 de julho de 2011

Estresse e crise: Saiba por que trabalhar em tempo contínuo é um erro

Quem zela pelo corpo, pratica exercícios e reconhece a importância em manter agenda aberta a momentos de descontração tem vantagem competitiva
"Diante da crise, o corpo não identifica se o estresse é psicológico ou físico. Por isso, tentar resolver apenas mentalmente um problema não é solução. O estresse se mantém, quando poderia ter sido amenizado pelo efeito de uma sessão de ginástica ou de corrida, antes de uma reunião estressante" Se você acredita que, nos momentos mais estressantes da carreira, deve focar ainda mais no trabalho e no raciocínio, preterindo os cuidados com a saúde, o corpo e o próprio bem-estar, errou.
Segundo o psiquiatra Frederico Porto, a estratégia de abandonar os cuidados com o corpo em períodos tensos, como o da atual crise econômica, implica menor velocidade e capacidade de solucionar problemas.
"Cair em estado de trabalho contínuo, esquecendo que o corpo precisa de recuperação, é um erro. Executivos que praticam exercícios e não perdem o foco na saúde contam com vantagem competitiva importante em relação aos demais, que pode ser traduzida em menor ansiedade e estresse, além de capacidade de tomada de decisões mais rápida", completa.
Toda pessoa deve praticar atividades que promovam relaxamento, como hobbies ou esporte. "Diante da crise, o corpo não identifica se o estresse é psicológico ou físico. Por isso, tentar resolver apenas mentalmente um problema não é solução. O estresse se mantém, quando poderia ter sido amenizado pelo efeito de uma sessão de ginástica ou de corrida, antes de uma reunião estressante", explica.
O ser humano possui controles puramente técnicos para liberar o estresse. É este o caso de determinados exercícios respiratórios. Inspirar e expirar por um período de tempo maior, por exemplo, alivia a tensão e eleva o rendimento do executivo no trabalho. O esporte funciona da mesma maneira.
Outra indicação é manter uma dieta equilibrada. "Ingerir frutas pela manhã e um lanche nutritivo antes do almoço, por exemplo, é algo altamente benéfico. A boa alimentação ajuda a transcender o estresse. Por isso, deve-se evitar abusos, como o consumo de café sem moderação. Duas xícaras - de preferência, tomadas antes das 18 horas - estão de bom tamanho.
Outra forma de minimizar os efeitos da pressão é melhorar a gestão do próprio tempo. "Quebre em pedaços as tarefas difíceis. Use sua habilidade para resolver cada pedaço de uma vez. Assim, terminada a tarefa você terá sensação de finalização e ânimo para ir além", explica Frederico.
Happy hour deveria ser prescrição médica
Para aqueles que precisam de ânimo adicional e que têm sofrido pressão a ponto de não conseguirem recarregar as baterias apenas no final de semana, um remédio bastante interessante: um bom happy hour na sexta-feira. Segundo o psiquiatra, o happy hour deveria ser prescrição médica nesta época de crise.
"A dica é relaxar com os amigos no final do expediente. A equipe, os executivos e profissionais - todos - que passaram a semana inteira tensos, discutindo, criando e correndo atrás de soluções para os novos contextos do mercado com a crise merecem momentos de alegria. E a troca que ocorre durante um happy hour enriquece a todos"
Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/estresse_crise.htm
Acessado em 09/07/2011 às 18:58

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Você sabe o que precisa de fato para amadurecer?

Amadurecer - "Àqueles que empreendem corajosamente essa tarefa está reservada a pedra preciosa, a tão desejada sabedoria, que lhes permite a obtenção de um estado de aceitação e paz. Paz... Esse talvez seja o precioso tesouro a ser encontrado, mas até mesmo para valorizá-lo é necessário que se tenha trilhado certa parte da estrada com consciência.
Aos que se furtam desse caminho, feito de escolhas corajosas e conscientes, resta viver o envelhecimento como uma espécie de castigo feito de perdas"
Esta semana li na revista Vida Simples (junho 2011), uma interessante entrevista do educador e escritor Eugenio Mussak, na qual ele abordava a questão da passagem do tempo e do envelhecimento.

Qual não foi minha surpresa ao me deparar com um pensamento sobre o qual eu mesma já me detive muitas vezes. Eugenio afirma que não basta a passagem dos anos para que alguém adquira maturidade. Para ele é preciso mais:

“Ter vivido simplesmente não significa ter-se tornado maduro. É preciso aprender com a vida, e isso requer mais do que simplesmente viver. Antes de qualquer coisa é necessário ter humildade, a primeira qualidade dos sábios."

Ora, não é difícil perceber que os anos vividos não trazem necessariamente sabedoria. Está cheio de gente por aí com uma boa bagagem de anos nas costas parecendo saber ainda menos do que sabiam quando eram crianças.

Isso costuma nos confundir. De certa forma gostaríamos de associar o envelhecimento à obtenção de algo especial, como uma forma de compensar as inevitáveis limitações e perdas físicas. Não que não possa acontecer. Claro que, aos que se dedicam a crescer e aprender, a riqueza de experiência de uma vida plena de lições pode fazer sim muita diferença. Mas é preciso que uma energia seja empreendida nesse sentido. O amadurecimento não acontece sozinho, como parece acontecer na natureza, a não ser no nível biológico. Para uma macieira, o processo é claro. A árvore cresce, dá flores, frutos e assim por diante. Da mesma forma, nosso corpo físico passa por etapas mais ou menos conhecidas, mesmo com todo o arsenal da medicina moderna.

Mas em nosso mundo interno, nos labirintos de nosso ser, onde mora o Minotauro, é preciso coragem, determinação e perseverança para que o tesouro da maturidade seja encontrado e resgatado. Não existem tesouros dando sopa por aí, quase sempre estão bem enterrados, ou guardados por monstros mitológicos, nos obrigando a ralar nossas mãos ao cavar a terra, ou chamuscar nosso peito ao enfrentar a fera guardiã.

Penetrar na caverna e enfrentar dragões podem ser metáforas interessantes para descrever o caminho de um envelhecimento saudável, que nos traga força interna e sabedoria. Para amadurecer de verdade precisamos desviar para dentro o nosso olhar, constantemente fisgado pelos inúmeros estímulos do mundo externo. Não é fácil. Em nosso mundo tudo nos puxa para fora, para as inúmeras solicitações do dia a dia, para que nos comparemos com as outras pessoas ou com modelos a ser atingidos. Raramente alguém nos diz para olhar para dentro, a ir para nossa caverna, ouvir a voz da intuição, ser quem de verdade somos.

Menos ainda nos estimulam a nos apropriar de nossos próprios monstros e enfrentá-los. Hoje em dia, quando algo dá errado, é muito mais fácil culpar o outro, o vizinho, o parceiro, o chefe... o mundo. Raramente nos estimulam a buscar o dragão devorador de alegria lá dentro de nós. E é lá que ele está, queimando nossas entranhas, transformando nossos sonhos em cinzas.

Envelhecer com sabedoria e dignidade nos dias de hoje é, assim, uma tarefa para heróis.

Àqueles que empreendem corajosamente essa tarefa está reservada a pedra preciosa, a tão desejada sabedoria, que lhes permite a obtenção de um estado de aceitação e paz. Paz... Esse talvez seja o precioso tesouro a ser encontrado, mas até mesmo para valorizá-lo é necessário que se tenha trilhado certa parte da estrada com consciência.

Aos que se furtam desse caminho, feito de escolhas corajosas e conscientes, resta viver o envelhecimento como uma espécie de castigo feito de perdas. Mas àqueles que escolherem o caminho da busca da sabedoria, acreditem... o processo de envelhecer será envolvido em uma suavidade luminosa que poucos imaginam existir. Pouco sabemos do que ainda não vivemos. Sábios seríamos se ouvíssemos mais àqueles que souberam envelhecer, é o recado que deixo neste final de artigo como um incentivo à reflexão, aos que quiserem levar estas palavras para suas cavernas.
Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/eu_amadurecer.htm
Acessado em 07/07/2011 às 16:33

Por que gostamos tanto de fofoca?

Se você perguntar, ninguém diz que gosta de fofoca, muito menos daquelas que denigrem a imagem de alguém. Isso é o que dizem. De acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Northeastern, nos EUA, a fofoca negativa desperta o interesse de nosso cérebro, inconscientemente.
1066564 60279004 300x225 Por que gostamos tanto de fofoca?  “Geralmente, assumimos que o que você vê influencia como você se sente. Aqui está um caso em que o que você sente sobre alguém influencia como você vê”, diz a autora do estudo, Lisa Feldman Barrett.
Segundo a autora, o objetivo do estudo foi entender até que ponto os sentimentos podem mudar a percepção de alguém. “E uma das formas mais rápidas e potentes de mudar os sentimentos de alguém é a fofoca”, explica. Para chegar aos resultados, Lisa e sua equipe realizaram dois experimentos. No primeiro momento, os participantes viram rostos de desconhecidos com feições neutras emparelhados com fofocas negativas, positivas ou neutras.
Em seguida, os pesquisadores analisaram como os cérebros dos voluntários responderiam a diferentes tipos de informação. Eles fizeram isso mostrando duas imagens aleatórias – um rosto e uma casa, por exemplo – uma imagem para o olho esquerdo e outra para o olho direito. Estas imagens diferentes causam uma reação chamada rivalidade binocular. O cérebro humano só pode lidar com uma das imagens de cada vez. Por isso, inconscientemente, tende a focar e prolongar-se no que considera mais importante.
O resultado: os cérebros dos participantes eram mais propensos a fixar a visão nos rostos associados com fofocas negativas do que com a imagem aleatória ou as faces associadas a fofocas positivas ou neutras, ou outros rostos que não fizeram parte do estudo anterior.
Para a pesquisadora, os resultados são relevantes uma vez que as pessoas não enxergam o mundo através apenas de seus sentidos externos, mas seus sentimentos também influenciam o modo como vemos o mundo. “Isto sugere que, se o nosso cérebro decide inconscientemente o que vamos observar, nós não conseguimos ser realmente objetivos no que vemos”, explica Lisa.
Fonte: http://oqueeutenho.uol.com.br/portal/2011/07/07/por-que-gostamos-tanto-de-fofoca/
Acessado em 07/07/2011 às 16:31

sábado, 25 de junho de 2011

Reflexões sobre o indivíduo e sua relação com o mundo

"Você sabia que praticantes regulares de yoga e de meditação costumam ter reações físicas e emocionais menos exaltadas frente ao mundo?" Qualquer sentimento, seja de amor, inveja, ciúmes, medo, ódio ou ternura, não é controlável do jeito que supomos ou desejamos.
Eu quero dizer que situações, que contextos de vida inevitavelmente podem nos atingir: atiçam nossas vísceras, mecanismos de neurotransmissão entram em ação e o corpo fica diferente, pensamentos e imagens são evocados. Há uma pegadinha nesta minha argumentação e preciso salientar que estou, ao menos por enquanto, estritamente me referindo ao domínio do sentir, que abrange as emoções e os pensamentos correlatos a elas.

No trânsito, por exemplo, quando uma motocicleta corta nossa frente de modo imprevisto e perigoso, sentimos medo, susto, irritação e/ou raiva. Parte dessas reações é fruto da história de evolução da espécie, nosso corpo fica naturalmente agitado, em prontidão para se defender de um ataque, de tocaia contra o que nos ameaça, seja um tigre (no caso do homem pré-histórico) ou um veículo mal dirigido, na contemporaneidade.

E daí? De que vale saber dessas coisas? A questão é que há pessoas que ficam num estado alterado por muito mais tempo, ou numa intensidade absolutamente desproporcional à ameaça representada pelo motociclista imprudente. Alguns saem em perseguição, outros disparam uma arma de fogo em direção à moto, a gente fica sem saber quem teve ou deixou de ter razão num caso desses. Imprudência no trânsito resultando em violência urbana, esse seria o resumo desta historinha.

Há também o caso do motorista que não reage explicitamente ao deslize do motociclista, mas cuja pressão arterial sobe naquele exato momento ou que chega ao trabalho espumando de raiva e descarregando a irritação no office-boy, que de nada teve culpa.

Pois é, a agressividade de um sujeito ao pilotar a moto deflagraria a agressividade ou o adoecer de outro sujeito, o qual pode se tornar agressivo com terceiros. OK, tudo aqui é de faz-de-conta, mas eu garanto que tramas similares são plausíveis no mundo real, fora das novelas das oito. Agressividade gerou raiva, que gerou mal-estar e mais agressividade.

Lá no começo eu disse que não dá para controlar o que se sente. Então um apressadinho concluiria que estamos fritos e nada há para se fazer. Nada disso. Podemos, na verdade, exercer algum controle pessoal e de uns sobre os outros, mas em termos do que fazemos, e não em termos do que sentimos.
Que escolha eu faço quando piloto como búfalo selvagem? Quem sou eu, que resolve conflitos com balas de revólver? Que desconexão existe entre o que eu faço e valores que supostamente eu afirmaria defender, como a compaixão, prudência, amizade, etc.?

É possível planejar estratégias sociais para promoção de comportamentos de paz e de bem-estar. No meu artigo eu poderia falar do papel do poder público, dos responsáveis pela lei e por sua real implantação. Poderia, outrossim, falar de fé, de religiões e de amor ao próximo. Prefiro outro caminho. Podemos aprender a aceitar o que sentimos (raiva intensa, por exemplo) sem precisarmos reagir aos sentimentos que forem pouco benéficos a nós e aos outros.

Você sabia que praticantes regulares de yoga e de meditação costumam ter reações físicas e emocionais menos exaltadas frente ao mundo? Essas pessoas aprendem, através de um treinamento bem orientado, a aceitar seus sentimentos, mas a permanecerem em contato com a dimensão construtiva do mundo, seus organismos são mais compassados e suas emoções são compassivas. Aprendem a julgar menos (a si mesmos e aos outros) e a se acalmarem mais, mantendo o foco nos valores mais relevantes, relacionados ao bem-estar individual e coletivo.

Procure informações a respeito de práticas como meditação e yoga, aceite suas emoções, e eduque seus atos amorosamente. Este é um bom começo para uma sociedade melhor, e trata-se de um caminho que só depende de você.
Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/comportamento_yoga_meditacao.htm
Acessado em 25/06/2011 às 15:51

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Seu modo de amar pode se tornar uma doença; saiba quando



"Estudo realizado nos anos 80 no New York State Psychiatric Institute constatou que o amor excessivo pode provocar no sistema nervoso central um estado de euforia parecido ao atingido pelo uso de anfetamina. Descobriu-se que o amor produziria uma substância intoxicante, a feniletilamina. Essa descoberta ajudaria a explicar o fato de que os portadores de amor patológico sentem um grande desejo por chocolate – o qual contém feniletilamina - quando estão na ausência do(a) companheiro(a)"
Prestar atenção, preocupar-se e cuidar do(a) companheiro(a) é um comportamento saudável e esperado dentro de um relacionamento amoroso.
Quando esse comportamento passa a ocorrer de maneira repetitiva, descontrolada, de modo a priorizar o outro em detrimento de si, temos um quadro de amor patológico.
Essa doença causa sofrimento tanto para o portador, quanto para quem convive com ele, uma vez que o doente torna-se obsessivo pela pessoa amada e seus comportamentos ficam fora de controle, inúmeras vezes sufocando o outro e deixando sua própria vida e interesses de lado.
Segundo o DSM - IV (sistema de diagnóstico da Associação Psiquiátrica Americana) são seis os critérios para a classificação desse transtorno, sendo três deles obrigatórios (para fechar esse diagnóstico).
1) Sinais e sintomas de abstinência - quando o parceiro está distante (física ou emocionalmente) ou perante ameaça de abandono, podem ocorrer: insônia, taquicardia, tensão muscular, alternando períodos de letargia e intensa atividade.

2) O ato de cuidar do parceiro ocorre em maior quantidade do que o indivíduo gostaria - o indivíduo costuma se queixar de manifestar atenção ao parceiro com maior frequência ou período mais longo do que pretendia de início.

3) Atitudes para reduzir ou controlar o comportamento patológico são mal-sucedidas - em geral, já ocorreram tentativas frustradas de diminuir ou interromper a atenção despendida ao companheiro.

4) É despendido muito tempo para controlar as atividades do parceiro - a maior parte da energia e do tempo do indivíduo são gastos com atitudes e pensamentos para manter o parceiro sob controle.

5) Abandono de interesses e atividades antes valorizadas - como o indivíduo passa a viver em função dos interesses do parceiro, as atividades propiciadoras da realização pessoal e profissional são deixadas, como cuidado com filhos, atividades profissionais, convívio com colegas, entre outras.

6) O amor patológico é mantido, apesar dos problemas pessoais e familiares - mesmo consciente dos danos advindos desse comportamento para sua qualidade de vida, persiste a queixa de não conseguir controlar tal conduta.
Amor patológico e dependência química
É interessante notar que existem estudos comparando os critérios para diagnóstico de dependência química com as características que geralmente são apresentadas pelos portadores de amor patológico e, constataram que grande parte deles (seis dos critérios acima) se assemelhem entre si, conforme o DSM – IV.
Outro ponto em comum é, do mesmo modo que o dependente químico adere à “droga de escolha” para aliviar sua angústia, ansiedade, timidez ou na busca do prazer, o portador de amor patológico acredita que alcançará isso através do “parceiro de escolha”.
Um estudo realizado nos anos 80 no New York State Psychiatric Institute constatou que o amor excessivo pode provocar no sistema nervoso central um estado de euforia parecido ao atingido pelo uso de anfetamina. Descobriu-se que o amor produziria uma substância intoxicante, a feniletilamina. Essa descoberta ajudaria a explicar o fato de que os portadores de amor patológico sentem um grande desejo por chocolate – o qual contém feniletilamina - quando estão na ausência do(a) companheiro(a).
O amor patológico
O responsável pelo amor patológico não é o amor em si, esse não é causador dos malefícios que ocorrem associados a esse transtorno, mas sim o grande medo que a pessoa tem de ficar só, o pavor de poder vir a ser abandonada, o receio de não ser valorizada, pensamentos esses que lhe causam muita angústia. É essa forte carência que faz com que a pessoa tenha um déficit na sua avaliação crítica (na verdade, ausência de crítica) sobre seu comportamento obcecado. A consequência é a falta de liberdade que o portador de amor patológico impinge a si mesmo e ao par, já que quando está na presente desse sente um bem- estar e alívio da angústia.
Quem sofre mais de amor patológico?
É provável que o amor patológico seja mais presente na população feminina porque as queixas são mais referidas pelas mulheres (no entanto, o que pode ocorrer também é que os homens não costumam compartilhar com tanta frequência seus sentimentos). As mulheres partilham mais o que sentem e dentre essas confissões, queixam-se de “que sofrem com o problema”, que são “obcecadas" ou "viciadas" pelo parceiro, ou ainda que deixam de viver a própria vida para "viver pelo outro", que o outro “é o centro de suas vidas”. Além disso, as mulheres costumam dar maior ênfase aos relacionamentos amorosos, assim como a situações relativas a eles, tais como: fazer coisas juntos, datas especiais, presentes, ciúmes, abnegação e sacrifícios pelo relacionamento, entre outros.
Além de psicoterapia, para auxiliar as pessoas com esse quadro, existem grupos de autoajuda que trabalham com esse tema, assim como o MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas), o qual somente permite a participação do público feminino.
Avalie sua maneira de amar
Para ajudar na avaliação da “dosagem” de seu amor com relação a(o) seu(ua) parceiro(a), procure se questionar sobre:
• Você costuma sentir-se satisfeito com a quantidade de atenção e tempo que dedica a(o) seu(ua) parceiro(a) ou percebe que fez mais do que gostaria ou do que ele(a) mereceria?

• Na ausência do(a) companheiro(a) você consegue continuar fazendo suas coisas normalmente, sem alteração física (ex. taquicardia, insônia, dores musculares, tontura, etc...) ou emocional (ex. tristeza, angústia, medo, etc...)?

• Você acha que a quantidade de atenção o de tempo que você disponibiliza a(o) seu(ua) parceiro(a) está sob o seu controle ou já tentou se conter e não conseguiu?

• Você mantém outros interesses e relacionamentos ou abandonou pessoas e atividades para privilegiar a relação com essa pessoa em especial?

• Você não se preocupa e/ou não despende tempo buscando controlar a vida do seu parceiro?

• Você continua se desenvolvendo pessoal e profissionalmente após o início de seu relacionamento amoroso?

Se você respondeu “não” à maioria das questões, é um sinal para que fique alerta. O mais indicado é que procure um psicólogo ou psiquiatra e faça uma avaliação clínica mais aprofundada para poder compreender melhor o que se passa com você e talvez receber tratamento adequado.
Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/tcc_amar.htm
Acessado wm 24/06/2011 às 15:22

Pensar sobre a própria morte torna pessoas mais suscetíveis a atos altruístas, aponta pesquisa


“A morte é uma motivação muito poderosa”, acredita Laura Blackie, da Universidade de Essex, autora de um estudo que buscou entender os sentimentos que cercam as pessoas quando elas são estimuladas a pensar sobre a própria morte. O resultado aponta que quando isso acontece, as pessoas tendem a valorizar mais a vida e a colaborar mais em causas sociais, como a doação de sangue.
146321 6314 300x225 Pensar sobre a própria morte torna pessoas mais suscetíveis a atos altruístas, aponta pesquisaO estudo, publicado no periódico Psychological Science, envolveu 90 pessoas que andavam pelo centro de uma cidade britânica. A alguns foi pedido que respondessem perguntas sobre a morte de forma abstrata – quais seus pensamentos e sentimentos sobre o assunto e o que achavam que aconteceria após a morte. A outros foi pedido que pensassem sobre a morte de forma específica, que se imaginassem em uma situação que os levaria à morte – como um incêndio – e então foram feitas quatro perguntas sobre como eles lidariam com a experiência e como suas famílias iriam reagir. A um grupo controle foi pedido que pensassem sobre dor de dente.
Em seguida, os participantes receberam um artigo supostamente de um importante jornal inglês sobre doação de sangue. Os que pensaram sobre a morte de forma específica receberam a notícia de que as doações de sangue estavam atingindo recordes e que a necessidade de doação era baixa. Os que pensaram de forma abstrata leram o oposto – que os bancos de sangue precisavam de doações urgentes. Em seguida, todos os participantes receberam um panfleto com informações sobre um local onde poderiam doar sangue imediatamente, apenas teriam de levar aquele panfleto.
Tanto o grupo que recebeu a primeira notícia como o que recebeu a segunda ficaram motivados a doar sangue. E para surpresa dos pesquisadores, aqueles que pensaram sobre sua morte de forma específica não se deixaram influenciar pela notícia de que os estoques de sangue estavam bem.
“Quando as pessoas se conscientizam de que sua vida é limitada, isso as motiva a abraçar a vida e os objetivos que são importantes para nós. Os resultados mostraram que quando as pessoas pensaram sobre a morte de forma abstrata, elas estavam mais propensas a temê-la. Pensar de forma específica sobre a sua própria morte permitiu às pessoas integrar a ideia da morte em suas vidas mais plenamente”, finaliza.
com informações da Association for Psychological Science
Fonte: http://oqueeutenho.uol.com.br/portal/2011/06/23/pensar-sobre-a-propria-morte-torna-pessoas-mais-suscetiveis-a-atos-altruistas-aponta-pesquisa/
Acessado em 24/06/2011 às 15:17